segunda-feira, 4 de junho de 2012

NÃO SEI QUE TÍTULO COLOCAR

Por Ariana Silva

"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
..."
Casemiro de Abreu

Tenho saudades do tempo que eu não sabia o que eram preocupações e responsabilidades, do meu tempo livre (não que agora seja diferente, mas as preocupações estão ai). Do tempo que eu ficava feliz quando meu pai chegava em casa com um brinquedo, gibis ou material escolar. E principalmente, de quando as pessoas jamais achariam estranho o que fazia, afinal, eu era criança.
Lembro da minha infância com certa nostalgia, período em que a tristeza não tinha vez, e brincar ou ver desenhos era o que tinha de melhor.
É realmente uma lastima perceber que as crianças de hoje, não são mais tão ingênuas e ter vida de criança, para muitas delas, seja uma tremenda perda de tempo. Crianças já se portam como adultos. Meninas aparecem maquiadas. Hoje em dia é mais fácil encontrar crianças com roupa da moda, e que tem celular, MSN, Twitter, Facebook, a vê-los brincando de pega-pega, esconde-esconde com seus amigos. A vida social delas é igual a de um adulto. Ou talvez tenham mais vida social ainda (principalmente se comparada a mim). Isso sem falar em namoros, beijos e sexo, que cada vez acontecem mais cedo.
Vejo que as crianças não fazem mais o tipo de criança que eu fiz claro que, tudo muda, a época é outra, mas me parece que essa evolução não trouxe nada de bom, .a infância está cada vez mais extinta. Não duvido que daqui a alguns anos as crianças já nasçam com uma profissão e trabalhando
Claro que, essas mudanças todas também se devem a vulgarização do sexo e a exposição demasiada de imagens e cenas eróticas, aos pais que acham tudo bonito, e que ao invés de comprarem um brinquedo para os filhos, compram celular, computador, e deixam as crianças assistirem novelas (que em horário nobre, mostram cenas quentes), escutarem músicas ruins, com letras ofensivas, ou a programas ridículos. O pior é que a audiência disso é gigantesca.
Infelizmente o sexo vende, e a mídia faz uso deste artifício para lucrar sem se importar com as conseqüências. Sempre se apela para sexo, drogas, violência e dinheiro. E quem ainda não tem um caráter formado, como as crianças, absorve todas essas informações e, por estarem em todos os cantos, acabam julgando como certo e passam a viver com esses parâmetros.
O que há de errado em ser criança? Em agir como criança?
Enquanto elas se corrompem e o mundo se destrói, eu, como diria meu amigo Horn, continuarei “sabotando” minha mente com doces, desenhos, filmes e bons livros, sem perder o que há de melhor em mim: a minha criança interior.

FILMES QUE VOCÊ DEVERIA VER MAIS DE UMA VEZ

Por Ariana Silva
https://twitter.com/ariana_zelda


“GOD BLESS AMÉRICA” - Dirigido por Bobcat Goldthwait
O filme de comédia de humor negro utiliza a violência para fazer uma crítica à sociedade norte-americana e serve também para demonstrar como o Brasil está.
Se você está cansando de só ver lixo na TV, e de todas as pessoas idiotas que só dão audiência a programas estúpidos e artistas ruins, God Bless America é, definitivamente, o filme certo para você.
God Bless América é uma sátira mordaz aos tempos superficiais em que vivemos. Na trama, um homem depois de perder o emprego, perceber que sua filha não passa de uma criança fútil e descobrir que tem um tumor no cérebro, resolve matar todas as pessoas que considera um problema para a sociedade. O filme é uma inspiração pra mim, claro que, eu não mataria ninguém.
Pode-se dizer que Goldthwait abandonou a carreira de ator e comediante para se dedicar exclusivamente à direção, em seus filmes, temas e personagens absurdos são facilmente encontrados.
Ainda não foi confirmado se haverá lançamento desse filme nos cinemas brasileiros, ou até mesmo em DVD, mas ficaremos na expectativa.

CASHBACK


Eu posso dizer, com toda certeza: este é um filme que me ganhou já pelo trailer, e olha que tem muito trailer bom, que vende filme ruim.
Cashback é originalmente um curta-metragem, de aproximadamente 20 minutos, que inclusive foi indicado ao Oscar. Com o sucesso, a ideia do filme foi desenvolvida.
No filme nós acompanhamos a vida de Ben Willis, um jovem estudante de artes que após terminar o namoro, e ver que sua ex superou muito bem a situação, começa a sofrer de insônia, passando 24 horas por dia acordado.
Tentando resolver esse problema, Ben aceita um emprego de madrugada em um supermercado. Rapaz observador, ele passa a relatar o que cada funcionário faz para que o tempo passe mais rápido.
Agora, imagine se você descobrisse que pode parar o tempo. Isso é exatamente o que Ben Willis faz. Com isso, ele passa a notar ainda mais os detalhes que a correria do dia-a-dia não permite reparar e a desenhar.
Característica que garante a originalidade do roteiro. Uma história simples e belíssima, que faz uso de clichês, mas que não insultam a inteligência de quem assiste.
E se você me perguntar: Por que eu veria esse filme? – Eu vou te dizer: 1º: o congelamento dos elementos de cena, enquanto o ator continua em movimento, e a câmera explora vários ângulos das pessoas e objetos, é magnífico, 2º: a Nudez feminina, embora apareçam várias mulheres nuas no filme, o diretor Sean Ellis consegue fazer isso sem ser vulgar, e de uma maneira, a fazer com que você que assiste, veja isso da forma mais artística possível.
Uma das melhores cenas do filme se dá quando ele para o tempo por duas semanas (não vou contar o motivo rs), é possível notar o pelos crescendo no rosto do personagem.
Claro, não posso deixar de lado os questionamentos que o filme traz, como por exemplo: Como que eu lido com o tempo, com os meus relacionamentos, com o rumo que minha vida tomou, e até onde eu posso fazer algo para mudar isso.
CASHBACK é um filme primoroso, que vale muito a pena ser visto, “degustado” e apreciado.

Curiosidades

- O longa contém cenas do curta-metragem Cashback, indicado ao Oscar 2004 e que serviu de base ao filme; - Sean Ellis escreveu o roteiro do longa-metragem em apenas sete dias. As filmagens começaram seis semanas depois - Estréia de Sean Ellis como diretor de longa-metragens.



Imagens: Divulgação


domingo, 3 de junho de 2012

AO VAZIO

Por Marvin Rosa 
e-mail: marvin.yeah@hotmail.com


Inevitável acordar e não sentir o espaço vago aqui dentro.
Café da manhã, morno e esfumaçado, nenhuma novidade nos jornais
As pessoas continuam morrendo de frio, e o meu mundo gira em torno
Daquele vazio.
Eu lavo o rosto, escovo meus dentes olhando no espelho,
Mas no reflexo eu vejo alguma coisa a menos. Estou em pedaços.
Sento pra escrever e tentar reunir os cacos. Cato milho no teclado
A procura de uma descrição decente para tal situação.
Sinto gosto de palavras presas na minha garganta e meu coração
Bate um compasso estranho, um tango talvez.
E eu não sei dançar, desisto da folha quase em branco,
Olhar pra ela me faz sentir ainda mais vazio
Esse branco nauseante refletindo nas minhas retinas
Eu começo a ver faíscas se remexendo na tela.
Resquícios de antigas rotinas. Sinto o vazio descendo pelo meu corpo,
Deve ser fome, mas não tenho apetite mais, o vazio ocupa o espaço
Da comida.
Me sinto leve, vontade de flutuar pra longe. Já que esse vazio não some
Talvez ele me eleve, como um daqueles monges tibetanos que de tanto
Ficarem parados, levitam. Eles vêem além do Maya, mas não eu.
A sabedoria do silêncio ou o desperdício da voz.
Se esse Vazio sempre esteve perpassando a tudo desde a Gozada Divina Primordial
Eu deveria ter percebido isso antes, mas estava distraído com o barulho do Mundo
E agora essa quietude toda me devora.
Mas agora eu sei, ele é todo meu, sempre fora e sempre será.
Estamos todos nele, à deriva, rio abaixo, com remos imaginários
Esperando a queda.
Nada importa antes, nem depois e isso me conforta
E num instante o vazio desaparece
Eu abro a porta com um sorriso de quem matou a charada
Lá fora o azul vasto e ilusório do céu de outono
E a luz perene e morna do Sol que me aquece.
Então eu me esqueço do Vazio, mesmo sabendo
Que ele nunca nos esquece...

Nós Curtimos

Domino Day 2012 – The Space
Evento organizado pela produtora de televisão holandesa Endemol, o Domino Day tem como atividade a construção de trilhas de dominó com maior número de peças possível. No vídeo em destaque você verá imagens fantásticas formadas com mais de 11.000 peças de dominó enfileiradas, para contemplar a edição de 2012.

Sampa Graffiti – Cranio
Registro da criação de um dos grafites do artista Cranio em São Paulo. O próprio grafiteiro fala sobre a arte de rua e relembra o chocante assassinato do líder indígena Galdino Jesus dos Santos, ocorrido em Brasília no ano de 1997. Assista até o fim, são cinco minutos e meio de arte, lembranças e reflexão sobre a sociedade.

Atchim & Espirro – A Volta
Este clipe musical, da nova publicidade da Vick Brasil, conta com participação dos palhaços Atchim e Espirro, utilizando, de forma bem humorada, o retorno da dupla como analogia para o retorno do frio e, consequentemente, da gripe e do resfriado.

Racionais grava “Marighella” em novo “Pinheirinho”
Nesta vídeo reportagem da TV Folha, Mano Brown fala sobre a gravação do novo clipe dos Racionais MCs “Marighella” em um dos prédios do centro de São Paulo ocupado por famílias sem teto. Não deixe de ver este registro que discute ditadura militar, música, desapropriação de propriedades privadas e políticas públicas de moradia.




Carol Lopes de Andrade

Imagens: YouTube



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Porta Retrato

Por Camila Barbosa
Twitter: @mamila_caria
E-mail: camila.mih@hotmail.com

As luzes se acenderam e, agora, eu podia vê-lo claramente.
As mãos caídas sobre as pernas, o corpo exausto e aquele ar de quem sabia onde estava, como chegara até ali e o porquê da vinda. O sorriso ainda era o mesmo, igual há três séculos – ou três minutos, não sei –, quando a gente se viu pela primeira vez. Agora só eu o via. Só eu o ouvia. Só eu.
Eu só.
Era domingo, as cortinas se fecharam, as luzes se acenderam e eu encontrei aquele que eu sentia tanta falta. Ele não me via. Não podia me ver ou não queria ou não conseguia ou apenas queria não conseguir. E eu me entorpecia daquele cheiro que vinha só dele.
Por Deus, como eu quis beijá-lo aquela noite. Como o meu coração sentiu necessidade em senti-lo, como eu precisava, arduamente, daquele corpo sobre o meu ao menos uma vez mais.
Ele permanecia estático; as mãos caídas sobre as pernas, o sorriso de exaustão nos lábios. Eu já me encontrava contorcida ao chão, vestida em cólera, rezando para saudade me deixar em paz.
As memórias, agora acordadas, corriam como vultos em minha volta, entoando canções que me transportavam para um mundo paralelo ao meu. Empurravam-me para qualquer coisa, para qualquer um; faziam-me contorcer a olhos vistos e gritar teu nome por todos os cantos do quarto. Gritei até alguém me ouvir, até a garganta sangrar, a boca arder e a audição ficar escassa.
De nada adiantou.
Você nem se moveu.
Sequer olhou em minha direção. Continuou imóvel, misterioso, lindo, dormindo em sua moldura de fotografia.
Eu sabia que a claridade machucava, eu sabia o quão segura a escuridão podia ser.
Agora me pego dançando a sua volta, tentando trazer qualquer vestígio de atenção para mim, tentando provocar qualquer sentimento por menor, e mais impuro, que seja. Qualquer um!
Me odeie, me maldiga, morra de raiva ou, então, de nojo. Cuspa em mim. Escarre. Jogue-me num canto qualquer e me corte, me queime. Qualquer coisa, amor, mas, por favor, não me olhe como se estivesse olhando o nada.
Tire esse sorriso do rosto, tire as mãos das pernas, feche os olhos e durma. Descanse. O mal já foi embora, e eu zelarei por você.
Os meus olhos estão cansados de olhar os seus que mais parecem promessas. Meu coração não suporta bater tão descompassado. E o meu corpo, lasso, não é capaz de abrigar tanta vontade.
Saia dessa redoma que te protege. Saia de si. Crie vida, vem para o mundo. Vem para o meu mundo e dançaremos, livremente, nesse breu que nos consola.
Ah, se eu soubesse como lhe trazer pra perto...
Se eu soubesse como lhe tirar de dentro e colocá-lo ao lado, eu o faria. Sem duvidas, sem culpas, sem pena.
Mas eu não sei.
Enquanto o seu viver me consome eu só peço, a qualquer um, que os telefones toquem, que as cartas cheguem e que, enfim,  esse  porta-retrato se quebre.

Naquele tempo

Por Marcus Vinícius

Twitter: @marquinho186

Blog: http://100sobrenome.blogspot.com.br/


Feriado no domingo não é muito agradável para quem já o tem como dia de folga, mas aquele primeiro de maio de 1994 foi marcante, pelo menos pra nós, aqui do bairro.
 Dia do trabalho é sempre uma data cheia de manifestações e reflexões, mas como não estávamos nem aí para nada, e nem tínhamos idade para isso, o jeito foi rachar no futebol.
 Logo cedo, às nove horas, tínhamos um jogo-contra na quadra do Lanifício. Estávamos dispostos a jogar com raça para vencer os nossos rivais, a “mulecada” das “casinha”.
 A temperatura estava agradável naquela manhã. Quase ninguém na rua, exceto as senhoras que voltavam sorridentes da padaria, segurando suas sacolas com leite e pão.
 Eram quase oito e vinte quando o nosso time começou a aparecer e se reunir em frente à casa do Renan. Aos poucos, os “muleques” iam chegando. Enquanto alguns desciam o morro com cara de sono e olhos cheio de remela, outros chegavam animados, entoando nossos gritos de guerra.
 O clima era de harmonia. Os que chegavam comendo pão com manteiga e bolacha, repartiam com quem não havia tomado café da manhã. Quem não se alimentasse direito corria o risco de não aguentar o pique do jogo.
 O horário da partida se aproximava e, como sempre, o Tidão estava atrasado. Fred e Rodrigo já reclamavam do atraso quando, de repente, nosso zagueiro surgiu no topo da rua. Alguns gritaram “até que enfim” e os outros ficaram observando-o descer o morro de chinelo, bermuda e com uma camisa do Planet Hemp sobre o ombro.

Pronto! Já podíamos ir!

Saímos em direção ao campo. No caminho, íamos chutando a bola e conversando. Eu comentava sobre o clássico que aconteceria às quatro da tarde entre São Paulo e Palmeiras e o Dudu explicava como conseguiu o emprego no Bar do Escobar.
 Ao entrar na Avenida Nicola Cianflone, que ainda era de terra, os mais ansiosos começaram a jogar pedras nas lâmpadas dos postes, enquanto os mais famintos roubavam goiabas na chácara Paraíso.
 O ritual da caminhada acabou quando chegamos na quadra de areia. O time adversário já nos esperava. Entramos, deixamos o chinelo perto do portão, cumprimentamos os caras e decidimos as regras: cinco vira e dez acaba, sem tempo e todos descalços.
 O jogo começou “pegado”, os pés descalços dos dois times não estavam nada amigáveis. Jogo duro. Nenhum dos dois times se sentia visitante, portanto, ninguém queria perder em casa. Eu estava no gol, e de longe via os dois times jogando como se joga um Uruguai x Argentina...

Texto na Integra em: http://revistaiii.blogspot.com.br/2012/05/revista-iii.html - páginas 19 e 20

Ai, que susto!

Texto e Fotos: Carol Lopes de Andrade
Maio/2012 – São Paulo – SP

Instalação pública do escultor Antony Gormley atrai, de maneira mórbida, a atenção de quem passa pelo centro de São Paulo, até julho.

Dia após dia a monstruosa arquitetura do centro paulistano desperta em seus moradores e visitantes diversos tipos de olhares. De um lado personagens curiosos, extasiados e maravilhados por cada detalhe desta engrenagem urbana sempre em funcionamento. Do outro os “pacientes” do vício visual, aqueles que diante das doses cavalares de caos e stress, já se entregaram a dormência silenciosa, que sentencia o indivíduo a enxergar toda a cidade como uma grande e fedorenta massa cinzenta.
Que muitos sentem raiva de São Paulo, não há dúvidas. Afinal, o relacionamento e a troca entre alguém de carne e osso e o espaço citadino é carregado de emoções reais, sobretudo, na jornada diária que varia entre seis e nove horas ininterruptas de convívio. Não é de se espantar que a imagem do emaranhado de metal esteja diretamente ligada aos triunfos e dissabores de milhões de pessoas.  
 Quem ainda não deixou o escritório onde trabalha, no centro, e caminhou longamente para espairecer as ideias? A maioria, de fato, pratica este exercício dentro dos transportes coletivos, de cabeça baixa, e o coração mais apertado do que a linha vermelha do metrô às 18h. A busca pelas vias que deem mais respiro à vida, geralmente, acaba em olhos fechados e fones enterrados nos ouvidos, no vai e vem da imersão individual, aparentemente, a única no qual vale a pena se render.
 E as pessoas se rendem! Sem qualquer pudor se lançam nesse ambiente introspectivo de amor e ódio. O que coloca à prova toda nossa percepção de cultura. O que é cultura? O que ela provoca nas pessoas? Como ela transforma as pessoas? Como ela potencializa a relação do homem com o espaço? Estamos andando muito apressados? Estamos nos ignorando demais? Estamos aqui o bastante? Estamos vivos?
 As perguntas são muitas, e como sempre a arte surge para nos convidar a pensar. Paralela à mostra “Corpos Presentes – Still Being” do escultor britânico Antony Gormley, acontece em São Paulo, de 12/05 a 15/07, a instalação pública “Event Horizon”. Este é, sem dúvida, um dos convites mais excêntricos que os paulistanos já receberam para desfrutar do visual de sua cidade, considerando que a atenção dos transeuntes é conquistada através da alusão ao suicídio. Para alcançar este objetivo, Gormley espalhou 31 estátuas de homens nus esculpidos em ferro e de tamanho real, alguns deles no topo de prédios na região central de São Paulo, sem, é claro, deixar de causar forte impacto naqueles que facilmente confundem as peças com indivíduos suicidas prontos para o salto final.
 Depois de alguns segundos de reflexão, ou pela providência de alguém mais antenado na agenda cultural paulistana, fica tudo mais claro. Nada de susto! Nem de chamar o Superman. A nossa atenção já foi ganha pela peculiaridade de Gormley, e talvez, agora, deixemos de lado nossa convivência mecânica com o espaço urbano, para que, com o olhar, possamos percorrer mais do que os nossos próprios umbigos.
Segundo o escultor, a grande intenção desta instalação é fazer com que as pessoas olhem para cima, para os lados, que contemplem a cidade e, principalmente, que elas se perguntem “o que aquelas coisas estão fazendo ali?”.  O importante de olhar para este cenário de pedras, além da própria contemplação, é a abertura pessoal que acabamos permitindo quando as frustrações cotidianas surgem e colocam nossa existência em xeque. (Trecho de sua entrevista na Veja)
Aceno neste texto um efusivo obrigado ao artista e sua equipe. Tirar as pessoas do estado de anestesia e fazê-las olhar ao redor não é uma tarefa fácil. Talvez, por uma pequena fração de tempo, só os suicidas conseguissem. 


Informações sobre a mostra:
Antony Gormley – Corpos Presentes
12 de maio a 15 de julho
Local: Subsolo, térreo, mezanino, 1º, 2º e 3º andares.
CCBB SP
Horário: Terça a domingo